EXEMPLO EM LENÇÓIS PAULISTA

Prefeitura de Lençóis Paulista testa equipamento para reciclagem de Isopor®

    No último dia 31 de Maio, o diretor de Meio Ambiente de Lençóis Paulista, Benedito Martins, acompanhou os testes do equipamento de processar Isopor® na Usina de Reciclagem. Reciclar Isopor®é uma vontade antiga do diretor e um projeto da administração municipal desde o começo do ano. Cerca de 300 kilos de Isopor® - já coletados pela Cooperativa de Reciclagem – serão processados experimentalmente. O processamento consiste em retirar os gases do produto, transformando em uma forma pastosa, o que facilita o transporte. O material será empregado na fabricação de molduras, “Assim vamos conseguir diminuir o volume de Isopor® depositado e alongar a vida do nosso aterro sanitário, assim como gerar algum tipo de renda para a prefeitura”, explica Martins.
    Se a parceria vier a ser concretizada, a idéia é envolver no projeto os outros 34 prefeitos do Comitê de Bacias Hidrográficas Tietê-Jacaré, atualmente presidido pelo prefeito de Lençóis Paulista José Antonio Marise (PMDB). “Se isso acontecer vamos manter nossa cidade sede do processo, e os outros municípios mandariam material coletado para ser processado aqui. O Marise já está em contato com os prefeitos para uma parceria, e agora, depois dos teste, vamos começar as ações mais efetivas”, diz o diretor de Meio Ambiente .
    Segundo Martins, ainda não é possível, calcular números do processo, como o quanto à cooperativa coleta mensalmente e o valor a ser cobrado pelo quilo do produto. “Estamos começando agora com o trabalho. Não conseguimos ver ainda o volume coletado e depois de processar tudo é que vamos saber o peso e o tempo de trabalho empregado”, completa. “O importante é, além de cuidar do meio ambiente, cuidar da cooperativa e dos cooperados. E espero que a gente possa continuar esse trabalho e gerar mais renda para a cooperativa”, finaliza.


PROECO

Proeco fornece para produzir molduras

    Instalada há dois anos em Guarulhos, cidade próxima a capital paulista, a Proeco recicla atualmente 100 toneladas de EPS por mês, mas tem capacidade para o triplo deste total. Os volumes só não são maiores devido à dificuldade na coleta, afirmou Daniel Cardoso Fernandes, gerente de produção da Proeco. Técnico em química com ênfase em plástico, Fernandes informou que a prefeitura de Guarulhos está começando um trabalho para garantir a coleta. “A Proeco fornece as gaiolas para acondicionar o material”. A empresa mantém em Goiás, Rio, Minas, Curitiba e Campinas (SP) unidades processadoras para compactar o EPS reduzindo o volume e trazer o produto até a fábrica em A máquina tem capacidade para prensar 100 quilos por hora retirando o oxigênio do produto formando tarugos.
    Em um metro cúbico é possível acondicionar cerca de 6 quilos de EPS enquanto que no mesmo espaço cabem cerca de 100 quilos de tarugo, informou o executivo. O preço pago pela companhia pelo produto que chega para reciclagem varia entre 10 e 45 centavos o quilo considerando-se grau de limpeza, cor, tipo do material, entre outros fatores. Na empresa o material é moído, e passa pelo processo de extrusão formando novos grãos.
Toda produção é vendida para o grupo Moldurante, fabricante de molduras de Santa Catarina, cuja empresa, Santa Luzia faz molduras e rodapés com o material e vendo no País e no exterior. “É o material com densidade mais próxima da madeira”, afirmou Fernandes.
    A Proeco desenvolveu há cerca de seis meses tecnologia também para reciclar o XPS, material usado na produção das bandejas que acondicionam alimentos. “Fizemos algumas adaptações nas máquina, inicialmente derretiam quando íamos processar”.
    A Cooper Viva Bem criada há quatro anos é uma das cooperativas que começa a atuar mais forte no processo de reciclagem do EPS. A empresa recebeu uma máquina da Proeco em comodato e passou a transformar entre 15 e 18 toneladas de tarugo por mês ocupado três cooperados com o preço de R$ 0,45 por quilo, informou a presidente da cooperativa, Tereza Montenegro.



RECICLÁGEM É LEI

Política para o lixo

    Tornar a indústria responsável pelo destino do lixo pós-consumo é o assunto que centrará os debates no Congresso Nacional. A proposta de criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, por parte do deputado federal Arnaldo Jardim (PPS/SP), aprofundará também a discussão tributária e fiscal sobre reciclagem, fundamental para estimular a reutilização de materiais descartados. "Carecemos de uma legislação sobre resíduos sólidos. Há normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), mas não existem leis que unifiquem ou tratem corretamente esse problema", afirma Jardim, também coordenador do Grupo de Trabalho criado na Câmara para apresentar uma proposta sobre o assunto.
    Na última quinta-feira (19), o Grupo aprovou a realização de três audiências públicas para debater os projetos relacionados com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. O primeiro evento, marcado para 1º de julho, contará com a presença do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
    Já a segunda audiência foi marcada para o dia 8 de julho e irá debater o princípio do poluidor pagador e da logística reversa, duas expressões vinculadas ao chamado pós-consumo responsável. A idéia é implantar mecanismos para responsabilizar o fabricante sobre o lixo produzido após o consumo, adotando instrumentos que facilitem a coleta e a restituição dos resíduos aos seus geradores. "Há muito tempo, a Câmara debate essa questão que foi apresentada novamente pelo governo Lula", completa Jardim.
    A última audiência do Grupo de Trabalho foi marcada para o dia 15 de julho. O debate será sobre a questão tributária e fiscal da reciclagem. Também foram aprovadas duas visitas dos parlamentares para conhecer experiências bem-sucedidas no Espírito Santo - proposta do deputado Lelo Coimbra (PMDB/ES) - e em São Paulo, requerimento do deputado Paulo Teixeira (PT/SP). (Aline Khouri - InvestNews)


LIXO RENTÁVEL E ECOLOGICAMENTE CORRETO

É possível reciclar o isopor®?
 
    O mesmo nome, histórias tão diferentes. Uma Maria abandonou o Ceará para tentar a vida com os 9 filhos em São Paulo. A outra Maria estudou matemática e enfermagem. Mas se realizou trabalhando pela conservação do planeta. Trocou o emprego em uma grande empresa pela direção da cooperativa de catadores Coopervivabem - uma das poucas do Brasil especializadas na reciclagem do isopor. “É uma solução, porque o isopor é um dos piores materiais no aterro sanitário. Ele faz com que o material que está embaixo dele não seja deteriorado e também não se deteriora”, afirma a diretora da Coopervivabem.
    Maria Tereza Montenegro coordena o trabalho de 72 cooperados no ofício de separar o lixo. A outra Maria, a de Jesus, é uma das trabalhadoras que vivem da reciclagem:" se a gente não reciclasse essas coisas, como era cheio de lixo!” Na cooperativa, o isopor encontrado em ruas e fábricas é separado e pesado. Cada catador recebe 25 centavos pelo quilo de um material tão farto no comércio, mas que raramente chega aos centros de coleta.
    O isopor é poliestireno expandido, ou EPS, um tipo de plástico feito à base de petróleo. No Brasil, foram produzidas 55 mil toneladas do material em 2007. Outras 2 mil toneladas foram importadas. Os dados são da Associação Brasileira do Poliestireno Expandido. Apenas 5 mil toneladas são recicladas no país, em empresas especializadas.
    A composição do material é 98% ar e apenas 2% plástico. O que a indústria de reciclagem faz é retirar o ar até transformar o isopor em uma massa, chamada de tarugo ou pão. Para agilizar o processo, uma máquina portátil vai até as cooperativas e transforma o isopor em massa. Na indústria, a massa derrete, a água resfria o plástico que é picado e cruza o Brasil para ser transformado em molduras em Santa Catarina.

Coopervivabem (ponto de coleta do isopor)
Tel. (11) 3644 6867
e-mail: cooper.vivabem@ig.com.br

Reportagem: Laís Duarte. Pauta: Paula Piccin. Edição de Texto: Iara Marques. Edição de Imagens: João Kralik. Produtor Executivo: Maurício Gonçalves. Editora-Chefe: Vera Diegoli.






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